segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Parte de "IRMÃOS LOBOS"

NA MANHÃ SEGUINTE

Muitos se interessaram, pois a casa da anciã estava cheia na manhã seguinte. Havia alguns muito jovens, outros com mais idade, porém, nem todos seriam enviados de pronto. Seriam primeiro listados, selecionados, treinados e então instruídos conforme os chefes das famílias indicassem.

O trabalho foi breve. Seus jovens eram concentrados e dedicados a sua causa, e por isso os cursos seguiam rápido o suficiente para em poucos meses estarem partindo os primeiros deles que viajariam em busca do conhecimento do Mundo Moderno. Ano após ano partiria ao menos um jovem por ano que entraria em na regularidade de estudos conforme havia indicado seus guias. Todos centraram cada um na sua função, trabalharam duro por períodos longos visando o bem estar de seu próprio povo. Fizeram tudo certo. Mas uma algo impensado mudaria todo seu destino, para desespero de todos:

Muitos foram, poucos voltaram.

Alguns se perderam nas mundo e perderam sua identidade. Criaram nova cultura e nova família. Aquele local de natureza indígena ao qual pertenciam faziam parte de seu passado. Muitos morreram devido aos novos produtos e vícios do mundo. Outros enlouqueceram e outros ainda foram presos. Outros apenas perdidos.

Os poucos que voltaram sofreram com o sofrimento do povo, que chorava pela perda de muitos filhos. A missão estaria errada? Os homens que partiram estariam errados? As anciãs estariam erradas?

Por que uma indicação sagrada seria tão desastrosa como esta? Talvez o povo estivesse sofrendo por causa de erros, mas quais? Haviam seguido cada instrução, até mesmo a última quando foi dito que por tempos não mais se comunicariam. Aliás, esta mensagem foi a gota dágua para aqueles que já achavam que o sistema antigo estava arruinado. Os anjos não mais tomariam partido de seus protegidos, e cada um devia seguir pelo caminho que bem entendesse. Uma pequena parcela dos habitantes seguiu fiel aos ensinamentos de aguardar os gêmeos e esperar uma revolução de proporções épicas. Estes poucos que ficaram não conseguiam sozinhos dar conta de toda a produção de que seria necessário, e aliado a constantes alterações atmosféricas e altas densidades de chuvas acabaram por deixar o poço cada vez mais pobre e faminto, chegando a níveis intolerantes. Os pais que enviaram seus filhos e que tinham certeza de que não haviam morrido, aguardavam seu retorno ansiosos, como quem aguarda a solução de todos seus problemas.

Imagine um jovem que passou cerca de dez anos fora de seu lar, muitos destes anos sem comunicação com estes antigos, ligados todos por em retorno a seu antigo

Retornavam médicos, mas já não havia o que medicar. Retornavam veterinários, mas não havia mais animais para cuidar. Voltavam especialistas em contruções, mas pouca gente havia para se construir novas casas. Haviam casas sobrando! Os poucos que voltavam se deparavam com a crise que talvez tivesse sido causada por causa da saída dos mesmos jovens que retornavam. E do fim dos que se perderam em missão.
Depois dessa época, começaram a abandonar simples, porém antigos costumes de contato com a natureza e de produção em parceria com a Grande Mãe. Uma falha gerava outra e o povo começou a perder sua fé nas Anciãs. Neste período houve uma grande ruptura interna e muitos que, antes só agiam sob instruções dos antepassados, passaram a agir por conta própria, o que incluía caçar as “maravilhas” do mundo moderno e aquele que proporcionava passe livre a todos eles.

O Dinheiro.

Mas, como que por castigo da mesma Mãe Natureza, logo após a 2ª. Grande Guerra, seus filhos começaram a gerar filhos disformes. Por algum motivo, começaram a nascer crianças com cegueira, surdez, paralisias múltiplas, disfunções cerebrais. O número de natimortos era enorme perante o fabuloso histórico de crianças nascidas perfeitas durante toda sua história. Ao mesmo tempo, durante o avanço do povoado para o mundo moderno e do mundo moderno para o povoado, começaram a ser inseridas várias doenças características do progresso.


OS TRABALHOS

Se recostar e preparar para sonhar.

Os dois aprenderam há muito a arte de se desprender do corpo em sonhos e visitar qualquer lugar que quisesse ou imaginasse. Desta dimensão ou de outra.

Sua avó era curandeira e muitos segredos possuía. Desde cedo, quando por obra do destino, a mãe deles encontrou morte repentina por falta de saúde, assumira sua criação e desde cedo, lhes passava educação e naturismo (...) foi passando para os meninos.

Dia após dia eles aprendiam segredos e truques da floresta os quais só eram sabidos pelos antigos habitantes e amantes da arte do conversar com a natureza. Haviam também aqueles que mantinham contato com as entidades que reinam sobre a rica arquitetura da naturaza.

Toda a noite era a mesma rotina. Preparavam a mesa ritualística com muito carinho, colocando toalha branca, crucifixo, copo d’água (...) A montavam sempre cuidando para ter bons pensamentos, pois eles sabiam que tudo que tocamos será influenciado pelo nosso estado emocional quando do momento.

Preparavam suas orações invocando a Deus que os guiasse sempre rumo a luz.

Sua certeza no controle de poderes especiais vinha da educação continuada de pai para filho, durante séculos, e somente para os iniciados. Pai para filho passava segredos que homem e natureza sempre dividiram neste planeta, segredos tão antigos e que vinham sendo esquecidos geração após geração. O homem vem ficando cada vez mais tolo, e hoje em dia, tudo o que reluz é ouro. E se não reluz, não interessa.

Esta filosofia do mundo atual vem vindo espalhada pelo mundo de cultura romana. Mundo este que “dominou o mundo”. O padrão romano vem desde muito tempo unificando culturas a partir do ocidente, salvaguardando algumas minorias, como índios, negros, etc, que subsistem de acordo com antigos padrões de sociedade pré-romana.

Ouviram regras e tiveram de elitizar Deus, criaram em seu imaginário um exército de anjos e toda uma casta de santos. E ai daquele que não segue suas regras, pois se deus é impiedoso como é dito na bíblia, a cada erro, poderia ele vir com todas as pedras na mão pra cima do transgressor e causar-lhe dor excruciante.

Ou não?

domingo, 25 de julho de 2010

Trecho do Livro - "EVANGELIZAÇÃO ESTELAR" - Zilu Notria

Estamos agora numa sala de beleza incomum. Em seu centro há uma mesa bem comprida, oval, em cores prateadas. Tem suas beiras extremamente arredondadas e polidas, e seu brilho é suavemente ofuscante. As cadeiras, de um branco imaculado, se elevam até acima da altura da cabeça e possuem braços confortáveis para apoio. No chão, um carpete de cores claras praticamente mescla-se ao fundo com as paredes, dando uma impressão virtual ao lugar. Esta sala tinha um brilho quase que próprio, e a luz dos dois sóis que entra pela janela de uma sala lateral dá um ar de paz inabalável ao lugar. Esse efeito visual fica ainda mais agradável quando complementada pela música ambiente, (que é algo como música instrumental) e que flui naturalmente não de caixas de som, mas como o vento que entra por frestas invisíveis de outros ambientes. Esse som vem sempre acompanhado de pequenas faíscas eletrônicas que flutuam ao vento...

Parecem ondinas festeiras que bailam sobre as notas mais doces do Universo.

Estamos no último andar do prédio principal da Praça dos Pinheiros. Este é o antigo prédio de Pesquisas Espaciais. Esta sala é a sala principal de convenções e um Centro de Reuniões. Nela não existem janelas. Há apenas uma porta muito alta e uma grande tela, ferramenta de monitoramento das explorações interplanetárias.

Este Centro de Reuniões outrora foi palco de grandes tensões quando das primeiras expedições espaciais fora do cinturão de estrelas Mayar. Os Garisham iniciaram há muitas gerações atrás suas pesquisas científicas no campo espacial, e hoje eram doutores na tecnologia de Projeção Cinética Hipertemporal, termo utilizado para designar as missões estelares. Atualmente este monitoramento de missões era efetuado em ambiente tecnicamente melhor preparado. Mas como o painel da sala mantinha perfeito funcionamento, continuou sendo utilizado para monitoramento de viagens mais altruístas, missões de treinamento, explorações visuais ou em resgates esporádicos. Neste painel, a visualização pode ser feita em tempo real, e para isso são utilizadas grandes rochas de cristais de quartzo, crivadas em forma piramidal e instaladas no topo do prédio aonde se localiza a Sala de Monitoramento.

Essa rocha de cristal funciona programada ritualisticamente para estabelecer conexão com outros grupos de cristais menores que ficavam instalados em veículos de transporte que cruzavam a fronteira final do cinturão Malavit para o hiper-espaço. Essa conexão era possível porque aqueles fragmentos de cristal perfeitamente circulares, do tamanho de um punho, um dia fizeram parte deste bloco maior instalado sobre o topo do prédio de Pesquisas Espaciais. Assim, era possível estabelecer uma conexão instantânea e visualização ambiente que era transmitido tão rápido quanto o pensamento. Permitindo visão concêntrica de 360º e captação de dados atmosféricos em um raio de 300m, aproximadamente, esta pequena esfera de cristal era mescla de supercomputador, câmera e transmissor de imagens, sons e informações.

Qual seria o meio da transmissão?

O éter.

O quinto elemento.

A matéria-prima do universo (e que talvez tivesse sido a argila da criação), que permeia a vida e a morte, do começo de uma ao final da outra, e que portanto, é o condutor perfeito se focado entre os transmissores e receptores de cristal. Porém, a rocha sozinha de nada serviria se os cristais não fossem estes controlados por gênios elementais. Cada Grupo de Comunicação Cristal era formado pela Rocha Principal e por Rochas Auxiliares que eram acopladas aos veículos. Cada Grupos de Comunicação Cristal era formado de dezenas de técnicos, sendo alguns deles (em geral, as mulheres), responsáveis pela comunicação direta com o gênio elemental que auxiliava a missão controlando envios e recepções das informações que atravessavam o espaço.

Os Cristais Auxiliares (que ficam instalados na parte frontal dos Veículos de Exploração) são como filmadoras, só que muito diferente das convencionais que impressionam um material físico para ser reproduzido posteriormente.

Esses Cristais são conhecidos também como Transmissores Neurofísicos, e utilizam a própria vontade do gênio elemental para fluir através das ondas cósmicas e chegar ao seu destino. Esse processo poderia talvez ser comparado à telepatia, porém utilizando o poder de amplificação e registro das moléculas de quartzo. Só para se ter uma idéia, em se comparando o cristal a um microcomputador convencional, cada molécula que o compõe equivaleria a uma capacidade de milhões de Megahertz (medida convencionada para medir a capacidade dos nossos processadores atuais) e cada cristal do tamanho de um dedo pode armazenar bilhões de Terabytes de informações, de uma forma ainda incompreensível para a humanidade atual.

Nestes últimos anos, esta tecnologia vinha sendo utilizada principalmente para monitorar os ecossistemas vizinhos e organismos que nele viviam, visando registrar características locais e alternativas para falhas que pudessem vir a ocorrer caso precisassem ingressar em planeta estranho. Essas viagens sempre tinham elevado grau de perigo e, para estudar um planeta mais a fundo, a saída era descer e explorar o local pessoalmente. Havia uma década, os cientistas passaram a pesquisar incessantemente as razões e soluções para várias alterações na superfície de seu próprio planeta.


Muitos diziam que tais alterações eram prenúncio do próximo período de evolução que viria.


Os cientistas preferiam calar-se perante a humanidade. Sob a sombra da certeza que externamente pairava nos Colégios Científicos, reinava o fogo negro da dúvida sobre o futuro. E do desprezo pelo que não podia por ele ser pressentido. Não acreditavam no que não se enxergasse na aura. Em nada que não fosse possível ler no pensamento.


Em Garisham, havia uma co-existência pacífica entre homens e gênios. Gênios e homens vinham sendo amigos por milênios, e um nunca fizera mal ao outro. Não diretamente. Porém, cada dia que passava, comprometia-se mais a amizade entre ambos. Ultimamente haviam diminuído bruscamente contatos com gênios, e os poucos que ainda buscavam conselho e amizade de tais gênios cada vez mais marginalizados eram os homens que viviam em escolas iniciáticas, os seguidores da divina tradição antiga e as sociedades afastadas dos centros populacionais.


Esta falta de procura começava a afetar os laços atômicos que uniam as duas raças. Em alguns lugares já se fazia perceber a falta de gênios controladores, devido à desorganização natural do ambiente. Em outros, os chamados não eram mais respondidos como de costume. Escolas Iniciáticas apregoavam que seus videntes haviam descrito caravanas de elementais partindo em direção de locais menos afetados atomicamente.


O mesmo se dava em relação às grandes Obras Antigas. Maravilhas da construção antiga, elas haviam sido erguidos por povos ainda anteriores a este. Foram construídos por seres ainda mais evoluídos, e que os antecederam no planeta Garisham. Estes povos ergueram no passado obras angelicais, proporcionais à sua magnífica estatura gigantesca, duas vezes e meia maior do que os atuais indivíduos humanos. Eram obras feitas de material astral, sólido para quem partilhasse da possibilidade atômica de toca-lo. Até mesmo este presente dos deuses, seus templos em presença física; até mesmo isso o povo estava perdendo. Graças a várias experiências nucleares para o desenvolvimento de “soluções modernas para a sociedade”, o plano atômico atual estava sendo alterado gradativamente, fazendo com que estas obras divinais (que manterão eternamente sua natureza astral) começassem a ficar “transparentes”. A impressão é de desintegração. O planeta começava a se distanciar de seu nível atômico original. Quanto menos sólidas ficassem as Obras, mais Garisham adentrava em planos atômicos mais lentos, pesados.


Mas todas essas mudanças, por mais radicais que fossem, já vinham sendo esperadas há séculos por algumas elites dos núcleos de estudos. E talvez somente nestes locais se sabia disso, pois as mudanças vinham acontecendo de forma muito sutil. Ninguém em sã consciência na atual sociedade viria a público para falar que havia possibilidade de alterações graves, visto que ocorriam poucas alterações esporádicas, e os sinais mais importantes destas mudanças eram os menos importantes para a sociedade da época.


A sociedade alcançara um nível elevado de intelectualidade e de ciência, além da sua vocação espiritual latente. Toda a população possuía certo grau de controle sobre suas faculdades especiais, como vidência, clariaudiência, intuição, projeção astral, materialização, entre outros. Durante várias gerações, os conhecimentos práticos de magia eram passados de pais para filhos, por toda a sociedade. Atualmente, devido à fácil disseminação de informações pelos quatro cantos do planeta, o conhecimento hermético ficou a cargo de locais imbuídos da responsabilidade de somente criar neófitos desde pequenos. Na atual sociedade, quase tudo o que se quisesse no planeta era possível de se efetuar com a tecnologia atual e com a incrível capacidade industrial da sociedade. Duas ferramentas poderosíssimas para se conseguir uma independência real da divindade.


Toda essa arquitetura arrojada era fruto de milhares de anos de estudo em cima de fluência energética. Todas as estruturas existentes no planeta eram desenvolvidas movidas não por modismos ou tendências de qualquer espécie, mas sim pela forma como cada parte do projeto faria a energia específica de cada habitante fluir, por e para onde se desejava.


(trecho do livro "Evangelização Estelar" - copyrights Zilu Notria - 1998)